Serra

A PESQUISA DO VOX POPULI!

Postado por lpvellozolucas em May 17, 2010
eleições / No Comments

EXTRAÍDO: EX-BLOG DO CESAR MAIA
                    
1. O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa realizada entre 8 e 13 de maio onde Dilma aparece com 37% das intenções de voto em lista cheia, Serra 34% e Marina 7%. Imediatamente, muitos questionaram a seriedade da pesquisa. Esse é um caminho equivocado para se analisar as pesquisas. Como este Ex-Blog explicou em uma nota dias atrás, as pesquisas apenas sondam o “grid de largada”, até que se intensifique o “jogo de coordenação” (expressão estatística que denota o processo de distribuição de informações e a troca de opinião crescente entre as pessoas até transformar a intenção de voto em decisão de voto).
                   
2. É natural que nessa altura do campeonato as pesquisas flutuem. Os dados internos cruzados do Vox Populi reafirmam os mesmos vetores dos outros institutos: Dilma vence no Nordeste, perde em SP e no Sul, equilibra entre os homens, perde entre as mulheres… O que ocorreu, no caso, foi uma ampliação do nível de Dilma pelo fato da pesquisa ter sido contratada para o período em que os comerciais do PT na TV estavam no ar.
                   
3. Pode se dizer que foi um truque do PT. É provável que se o PSDB fizesse o mesmo em seus comerciais, Serra ampliaria sua vantagem. Mas isso não impede que seja usada para fins de análise.
                   
4. Na medida em que uma pesquisa ao meio de comerciais na TV altera os patamares de intenção de voto, pode-se dizer que, pelo menos, naquela faixa, o voto está longe de estar cristalizado. Repare que Marina ficou nos mesmíssimos 7% de 30/31 de março. Serra perdeu 4 pontos e Dilma avançou 4 pontos. Houve uma simples troca. Por quê? Porque nesta faixa de 4 pontos a intenção de voto está muito frouxa.
                  
5. Caberia às campanhas compararem as duas pesquisas do Vox Populi e verem em que pontos ocorreram esta troca e acentuar a campanha nesses pontos, observando seus cruzamentos sócio-espaciais.
                   
6. Por outro lado, isso indica também que a campanha da oposição deve se preocupar em cristalizar as intenções de voto antes de a TV entrar, pois o natural caminho de Dilma será tocar um realejo, esperando 15 de agosto para que Lula entre na telinha e tente desequilibrar o jogo. Essa possibilidade será tanto menor quanto maior a cristalização. E essa não se conquista em palcos engravatados e entrevistas na mídia.
                   
7. A cristalização se dá através dos multiplicadores de opinião. E são eles que prioritariamente devem ser mobilizados e motivados. Melhor que ir numa associação empresarial é reunir num auditório a militância e orientá-la e mobilizá-la. Se essa pesquisa sinalizou para isso, então, Santa Pesquisa.

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LULA FEZ O QUE PODIA FAZER. AGORA É COM DILMA!

Postado por lpvellozolucas em April 19, 2010
eleições / No Comments

EXTRAÍDO DO EX-BLOG DO CESAR  MAIA

                   
1. Este Ex-Blog, em fevereiro de 2009, fez uma análise do personagem Dilma Rousseff, lembrando que a transferência de votos entre políticos, de personagens muito diferentes, é muito difícil. Deu exemplos de candidatos do próprio PT em nível regional, que encarnando personagens distintos, terminaram por ter sua votação em locais muito diferentes. Não foi difícil a Brizola, em 1989, transferir todos os seus votos no RJ e RS a Lula: encarnavam personagens semelhantes, pelo estilo e base social de votos e dicotômicos a Collor.
                  
2. No caso de Lula e Dilma, trata-se de personagens antípodas. Aliás, o personagem Dilma -séria, tecnocrática, vertical, inflexível- foi criado pelo próprio Lula pós-mensalão. Jacques Séguelá, assessor de imagem de Mitterrand, dizia: “Política e Teatro são semelhantes. Mas há uma grande diferença. No Teatro o ator muda de personagem e continua a provocar emoções. Na Política… não!”
                  
3. Elas por elas, as pesquisas mostram que 20% dos eleitores votam em qualquer candidato de Lula, que 20% dos eleitores não votam em nenhum, 20% não estão nem aí e serão a abstenção/brancos/nulos na eleição e 60% dizem que podem ou não votar, dependendo do candidato. É nesse espaço que entra a dúvida sobre a capacidade de transferência de Lula. Mas nesse espaço, 2/3 já se definiram por Serra e Marina. Sobram outros 20%.
                  
4. Lula, do ponto de vista da psicologia social, é um personagem feminino, próximo, amigo, “acarinhável”, “vitimizável”. Dilma é um personagem, do ponto de vista da psicologia social, masculino, distante, vertical. Desta forma, a partir dos eleitores que votam em qualquer um que Lula indique, ou 20%, o processo de transferência de votos começa a ser complexo. Aqueles, que por alguma razão rejeitam Serra, são objeto de atração mais fácil. E assim por diante se vai deslocando o eleitor para Dilma, até atingir seu teto de recepção dos votos de Lula. E aí…, é com ela.
                   
5. As pesquisas em 2010 mostram Dilma patinando nesses 30%, um pouquinho mais, ou menos. Mas mostram também que ela está sempre mais abaixo entre as mulheres. No último DataFolha ela cai da média de 28% (todos) para 22% entre as mulheres. De nada adianta que um publicitário queira corrigir isso. Por um lado, não dá mais tempo. Por outro, cai na máxima de Séguelá: se descaracterizaria. Talvez Patrus fosse um personagem com perfil mais próximo a Lula. Agora é tarde… Inês é morta!

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SERRA E DILMA: DIFERENÇAS ENTRE PRIMEIRO E SEGUNDO TURNOS!

Postado por lpvellozolucas em February 03, 2010
Política / No Comments

EXTRAÍDO: EX-BLOG DO CESAR MAIA
03/02/2010 

                     
1. As eleições pelo mundo afora, nestes últimos anos, têm mostrado que se não ocorrer uma conjuntura de máxima ou de mínima (economia crescendo 8% a 10%, ou em recessão afirmada), o fator decisivo é a performance dos candidatos em campanha. No Brasil, com eleições coincidentes para governadores e acesso proporcional à TV, a performance dos candidatos se somam à capilaridade (candidatos a governador)  e o tempo de TV. No caso específico de 2010, Serra e Dilma se equilibram nestes dois quesitos. Portanto, a performance em campanha tende a ser decisiva.
                     
2. Os programas de governo e promessas eleitorais são cada vez mais (vide nota deste Ex-Blog sobre eleições de setembro na Alemanha) argumentos após se ter transposto a barreira da confiança. E esse é função da performance dos candidatos em campanha.
                     
3. Importante lembrar para 2010 que se a cobertura na pré-campanha pela mídia coloca Lula como comissão de frente do desfile de Dilma, durante a campanha as lentes e microfones a focalizarão sem Lula. Assim serão aqueles 30 segundos diários no Jornal Nacional. Assim serão os debates. Assim serão as pegadinhas nas ruas e o acesso do eleitor.
                     
4. E aí, inevitavelmente, entra a experiência adquirida em campanhas eleitorais. E não se trata aqui de experiência política, mas eleitoral, propriamente. Para lembrar Glorinha Beuttenmüller: o abraço redondo, o olhar envolvente, falar a partir do umbigo, o passeio do olhar na frente das câmeras, o A e o I, o exercício de relaxamento, a voz escandida na TV e agitada no Rádio, etc. A aula ajuda, mas só a prática incorpora na massa do sangue e torna espontânea a performance.
                     
5. Dilma nunca foi candidata a nada, talvez nem à síndica. Vai começar a aprender -para valer- depois da convenção de junho e a partir de 5 de julho. E vai tropeçar, inevitavelmente. A TV editada só entra uns 50 dias depois da convenção. Vai levar um susto no final de julho quando as pesquisas anotarem a percepção do eleitor sobre ela. E a imprensa que apenas cobre estratégia de campanha vai querer saber das mudanças. A candidata se deprime um pouco. Mas logo vem a TV editada e a situação melhora.
                     
6. Cada quinzena de campanha para presidente vale um ano de experiência eleitoral. Mas não dará tempo para Dilma ganhar. Serra vence o primeiro turno. E aí vem a questão. Vence no primeiro turno? Ou haverá segundo? O mais provável é que numa eleição plebiscitária ele vença no primeiro turno. Lembre-se que a TV é alternada dia sim, dia não. E que o primeiro turno é cheio de ruídos.
                     
7. Mas se houver segundo turno o quadro já será diferente. Dilma terá adquirido experiência de performance em campanha. O segundo turno entra com TV contínua. Saem os deputados federais, estaduais e senadores. Desaparecem as suas placas nas ruas e seus cabos eleitorais com panfletos. A TV e a campanha ficam “limpas”. Será mais fácil perceber a presença de Lula. O segundo turno tende a ser uma eleição indefinida. Mas o primeiro será muito favorável a Serra, pelas razões, e se for plebiscitária, a probabilidade de Serra vencer no primeiro turno é tão alta que -de hoje- parece inevitável.

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Serra vai bem, obrigado!

Postado por lpvellozolucas em January 18, 2010
Política / 1 Comment

Do Blog do Noblat

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/18/serra-vai-bem-obrigado-258488.asp

Nem tão de leve que sugira desinteresse, nem tão forte que desate uma reação contrária.

É assim que se comporta o governador José Serra, de São Paulo, em relação ao colega Aécio Neves, de Minas Gerais.

Sonha com ele de vice em sua chapa de candidato à vaga de Lula. Mas se o pressionar muito poderá perdê-lo. E se não o pressionar, também.

Em meados do ano passado, Serra visitou Aécio no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte. Aécio estava embalado para sair candidato pelo PSDB a presidente da República.

A certa altura do encontro, Aécio advertiu Serra: “Você poderá ser o candidato do partido. Só não poderá me derrotar. Se o fizer, não terá os votos de Minas por mais que eu me esforce para ajudá-lo”.

Foi por isso que Serra fez cara de paisagem e engoliu todos os sapos servidos por Aécio. Alguns foram sapos gordos.

Um deles: as recepções festivas oferecidas por Aécio a Lula em Minas.

Outro: a pregação de Aécio contra o predomínio dos paulistas na política nacional.

Mais um: a insinuação de que somente ele, Aécio, atrairia apoios de partidos alinhados com o governo Lula.

Acabou indo pelo ralo a proposta de Aécio para que o PSDB escolhesse seu candidato a presidente por meio de prévias. De público, Serra concordou com a proposta. Na troca de telefonemas com líderes do partido, rejeitou-a.

Também foi pelo ralo o esforço de Aécio para crescer nas pesquisas de intenção de voto. Serra nada teve a ver com isso. Finalmente, Aécio desistiu de ser candidato.

“Vou me dedicar às eleições em Minas”, anunciou no final de dezembro último. E desde então tem descartado a hipótese de ser vice de Serra. Repete que será candidato ao Senado.

Serra dá tempo ao tempo. Lembra do que dizia Ulysses Guimarães, condestável do PMDB e da Nova República que sucedeu ao regime militar: “O segredo da política reside em três coisas: paciência, paciência e paciência”.

Há dois calendários em confronto para a próxima eleição presidencial – o de Lula e o de Serra. E ambos estão certos.

A única maneira que tinha Lula para eleger Dilma Rousseff era antecipar em mais de um ano o início da campanha. Foi o que fez. Dilma jamais disputou uma eleição. Era preciso torná-la conhecida. Sob o disfarce de lançar ou de inaugurar obras, Lula percorre o país com Dilma a tiracolo.

Serra se fingiu de morto para não ter que trombar, primeiro, com Aécio, e depois com Lula e Dilma. Só teria a perder. Se puder não trombará com Lula, o presidente mais popular da História. E evitará trombar com Dilma até o último minuto.

Lula afirmou na semana passada que é capoeirista e que está pronto para a briga. Se depender de Serrinha “paz e amor”, não haverá briga – só confronto de idéias.

Na moita, Serra se esforça por desmanchar a poderosa coligação de partidos montada por Lula para apoiar a candidatura de Dilma. E está se saindo bem.

Foi dado como certo que ele não teria um palanque forte no Rio, o terceiro maior colégio eleitoral do país. Serra negociou com Marina Silva, candidata do PV a presidente, e resgatou a candidatura de Fernando Gabeira ao governo do Rio.

Quer juntar na Bahia o PFL do ex-governador Paulo Souto com o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional. De preferência com Geddel para o governo e Souto para o Senado.

O PSB de São Paulo está com ele e o de Minas com Aécio. É por isso que Serra assimila sem retribuir os golpes que Ciro Gomes lhe aplica. O PSB quer Ciro como candidato ao lugar de Lula.

Caso Lula vete Ciro, no momento o PSB prefere não se juntar ao PT para eleger Dilma, facilitando assim suas mais heterogêneas alianças nos Estados. Foi como procedeu em 2006, negando a Lula seu tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Se o PSB foi capaz de pensar em si antes de pensar em Lula, quanto mais com Dilma?

De volta a Aécio: chegará a hora certa de Serra abordá-lo sobre a vaga de vice.

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