A PESQUISA DO VOX POPULI!

Postado por lpvellozolucas em May 17, 2010
eleições / Nenhum Comentário

EXTRAÍDO: EX-BLOG DO CESAR MAIA
                    
1. O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa realizada entre 8 e 13 de maio onde Dilma aparece com 37% das intenções de voto em lista cheia, Serra 34% e Marina 7%. Imediatamente, muitos questionaram a seriedade da pesquisa. Esse é um caminho equivocado para se analisar as pesquisas. Como este Ex-Blog explicou em uma nota dias atrás, as pesquisas apenas sondam o “grid de largada”, até que se intensifique o “jogo de coordenação” (expressão estatística que denota o processo de distribuição de informações e a troca de opinião crescente entre as pessoas até transformar a intenção de voto em decisão de voto).
                   
2. É natural que nessa altura do campeonato as pesquisas flutuem. Os dados internos cruzados do Vox Populi reafirmam os mesmos vetores dos outros institutos: Dilma vence no Nordeste, perde em SP e no Sul, equilibra entre os homens, perde entre as mulheres… O que ocorreu, no caso, foi uma ampliação do nível de Dilma pelo fato da pesquisa ter sido contratada para o período em que os comerciais do PT na TV estavam no ar.
                   
3. Pode se dizer que foi um truque do PT. É provável que se o PSDB fizesse o mesmo em seus comerciais, Serra ampliaria sua vantagem. Mas isso não impede que seja usada para fins de análise.
                   
4. Na medida em que uma pesquisa ao meio de comerciais na TV altera os patamares de intenção de voto, pode-se dizer que, pelo menos, naquela faixa, o voto está longe de estar cristalizado. Repare que Marina ficou nos mesmíssimos 7% de 30/31 de março. Serra perdeu 4 pontos e Dilma avançou 4 pontos. Houve uma simples troca. Por quê? Porque nesta faixa de 4 pontos a intenção de voto está muito frouxa.
                  
5. Caberia às campanhas compararem as duas pesquisas do Vox Populi e verem em que pontos ocorreram esta troca e acentuar a campanha nesses pontos, observando seus cruzamentos sócio-espaciais.
                   
6. Por outro lado, isso indica também que a campanha da oposição deve se preocupar em cristalizar as intenções de voto antes de a TV entrar, pois o natural caminho de Dilma será tocar um realejo, esperando 15 de agosto para que Lula entre na telinha e tente desequilibrar o jogo. Essa possibilidade será tanto menor quanto maior a cristalização. E essa não se conquista em palcos engravatados e entrevistas na mídia.
                   
7. A cristalização se dá através dos multiplicadores de opinião. E são eles que prioritariamente devem ser mobilizados e motivados. Melhor que ir numa associação empresarial é reunir num auditório a militância e orientá-la e mobilizá-la. Se essa pesquisa sinalizou para isso, então, Santa Pesquisa.

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Mais um passo adiante, outros precisam ser dados

Postado por lpvellozolucas em May 06, 2010
Política / Nenhum Comentário

Na noite de ontem a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base projeto de lei 518/09, denominado de Campanha Ficha Limpa. 

Claro que, como já havia anunciado que faria, votei a favor. 

Penso que com a aprovação desse projeto demos mais um passo para aperfeiçoarmos nossa democracia. A interação entre a sociedade civil organizada e o parlamento conseguiu, ao meu juízo, produzir um projeto de lei que, se aprovado pelo Senado até meados do mês de junho, tem tudo para valer ainda esse ano e já render bons frutos no processo de seleção dos candidatos.

Importante, no entanto, termos a convicção de que o aprimoramento da democracia em nosso país tem tarefas, muitas tarefas, que ainda devem ser cumpridas. A lei 9.840, também essa de iniciativa do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que transformou em crime a compra de votos foi um passo, a lei da Ficha Limpa é um outro. Precisamos de mais. 

Precisamos pensar maneiras (e essa me parece uma das vantagens do sistema distrital misto) de baratear os custos das campanhas no Brasil, precisamos discutir o sistema de financiamento das campanhas no Brasil, em especial no que diz respeito ao controle das doações, precisamos, ainda, melhorar a eficiência da ação dos poderes e órgãos públicos. 

Nunca é demais destacar que se o Poder Legislativo é o mais político de todos os poderes, a democracia se constrói cotidianamente na intersecção da relação dos cidadãos com todos os poderes da República. 

Como pensar, por exemplo, que podemos construir uma República democrática quando o Poder Judiciário ainda enfrenta dificuldades para punir os seus membros envolvidos em negócios escusos? Ou quando o Poder Executivo fica aberto a poderosa influencia dos lobbies para a liberação dos recursos orçamentários? 

Esses são apenas exemplos de como temos, ainda, que caminhar para o aperfeiçoamento democrático de nosso país. Mito já foi feito nesses 25 anos, muito ainda temos que fazer. Uma ótima lição dessa campanha Ficha Limpa é que a mobilização da sociedade combinada com a ação parlamentar rende bons frutos para o Brasil. Que mais coisas desse tipo ocorram para a agenda democrática do país dar novos passos.

A Lei de Responsabilidade Fiscal e a Fiscalização das Irresponsabilidades do Governo Atual

Postado por lpvellozolucas em May 05, 2010
Economia, Finanças Públicas, Governo Lula, PSDB, Política, contas públicas / Nenhum Comentário

Quem leu o editorial de ontem do Estadão, dedicado à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) se deparou com uma triste realidade: A LRF tem sido barafundada pelo atual governo.

Para os que não leram, teço abaixo meus próprios comentários que vão de encontro ao conteúdo do referido editorial, cujo link para a leitura na íntegra é:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100504/not_imp546582,0.php

Hoje estamos comemorando os 10 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal, com o mesmo entusiasmo que comemoramos em 1º de julho de 2009 os 15 anos do Plano Real e que comemoro também a aprovação do Projeto de Lei Ficha Limpa.  Não é preciso muitos argumentos para se concordar que todos três recebem um grande título em comum: o de grande marco e divisor de águas.

A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada no contexto da construção dos fundamentos da estabilidade macroeconômica durante o governo FHC.  Há uma década, a LRF surgia para promover o equilíbrio fiscal dos estados e municípios, como solução inovadora e de vanguarda, de cunho democrático e para o benefício popular, em prol de uma administração pública responsável que dialogasse com o novo contexto econômico produzido com o Real. Como tudo que é inédito, precisava ser testada, estudada e aprimorada.

Está no editorial do Estadão: “(…) rigorosa com os Estados e municípios, a LRF não tem produzido efeitos semelhantes nas contas da União. O superávit primário do governo federal correspondia a 2,13% do PIB em 1999, subiu para 2,75% em 2004, mas vem caindo desde então, tendo fechado o ano passado com 1,35% do PIB.”

Na verdade, a LRF foi criada para estados e municípios com o respaldo de que a União já era governada com responsabilidade fiscal. O governo do PSDB deu o exemplo da responsabilidade para depois cobrar a responsabilidade dos estados e municípios.

Estou falando do contexto da União de 10 anos atrás, que promoveu privatizações, criou o PROER e renegociou as dívidas de estados e municípios. O que vemos hoje é uma grande contradição, a ponto de termos um quadro em que estados e municípios encontram-se mais saudáveis que a própria União. Cadê o exemplo, PT?

O que ocorre é que o PT não cumpre os princípios básicos da LRF. Com a expansão desenfreada dos gastos públicos, o PT encomendou uma crise para daqui a dois anos, como disse recentemente o Ciro Gomes.

A União é soberana, ela é quem emite a moeda e deveria ter sempre um papel organizador. A partir do plano Real, o Brasil foi organizado pelo PSDB, a máquina foi enxugada, lapidada e regulamentada. Mas agora a bagunça é grande, a máquina está inflada e, para piorar, assistimos a mais uma barbaridade malabarística. Copio novamente do Estadão: “(…) Além disso, o governo Lula utiliza brechas da LRF para gastar cada vez mais. A decisão de abater recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da meta fiscal de 2011 reduz artificialmente as despesas da União. A contratação de serviços diretamente com fornecedores, para pagamento no exercício seguinte, não entra no cômputo das despesas do próprio exercício, o que mascara os resultados fiscais.”

Aproveito para repetir aqui uma das minhas definições preferidas sobre o atual governo e suas barafundas: Tem coisas boas e coisas novas; as novas não são boas e as boas não são novas.

Leiam ainda o post de hoje no blog Pauta em Ponto, “Dez anos de Responsabilidade, a Contragosto do PT”.

(http://pautaemponto.blogspot.com)

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Do Blog Pauta em Ponto sobre Belo Monte

Postado por lpvellozolucas em April 27, 2010
Economia, Governo Lula, Infraestrutura, Política, Sem Categoria, Setor Elétrico / Nenhum Comentário

Reproduzo abaixo, na íntegra,  o artigo do blog Pauta em Ponto  (http://pautaemponto.blogspot.com).  Realmente, haja maionese…

Viajando num belo monte de maionese

O governo Lula fechou mais um de seus meganegócios na semana que passou. Levou a leilão a megahidrelétrica de Belo Monte, com seus 11 mil megawatts de problemas. Questionada por todos os lados, a usina foi arrematada com um balde de subsídios públicos, sob variadas formas. Isso significa que ninguém sabe ao certo o quanto esta extravagância custará à sociedade brasileira, mas o petismo parece não se importar com isso: o negócio era fechar negócio.

Uma usina como Belo Monte é estratégica para o futuro do parque gerador nacional. É importante para assegurar o suprimento de energia pelos anos de crescimento econômico que deverão vir adiante. Portanto, um projeto estruturante. Mas isso não significa que se devesse pagar qualquer preço para tê-la. A escolha não é entre fazê-la ou não, mas sobre como fazê-la.

Belo Monte, situada no lado paraense da bacia do rio Xingu, poderá ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a chinesa Três Gargantas e a binacional Itaipu. Mas, tal como foi fechado o negócio, Belo Monte é como uma espada sobre nossas cabeças.

Ao longo destes mais de 20 anos de discussões, a extensão da área inundada diminuiu bastante, atenuando os impactos ambientais. Isso é ótimo. Mas mesmo atenuados, tais efeitos danosos persistiram, sem que se saiba ao certo quais dimensões alcançam. E isso é péssimo. Como começar a construir algo tão gigantesco com tantas dúvidas envolvidas?

Este é apenas um aspecto do problema. Antes de a usina ter sido levada a leilão na semana passada, TCU, Ibama e Ministério Público já haviam feito dezenas de ressalvas e apresentado montes de questionamentos sobre o projeto. O governo Lula deu de ombros e manteve o curso de seu cronograma. Para o PT, como se sabe, o negócio era fechar o negócio.

As várias questões obscuras – dimensão dos impactos socioambientais, custos do investimento, participação de fontes públicas de financiamento – poderiam ter sido mais bem resolvidas por meio da participação de especialistas independentes. Mas, não: tudo continua sendo feito entre quatro paredes. O que importa é fechar o negócio.

Havia alternativas que poderiam ter reduzido riscos e até ter incentivado maior competitividade no leilão. Mas, tal como ocorreu, a concorrência acabou restrita a uma disputa pantomímica como aquelas entre Ted Boy Marino e Fantomas em telequetes ensaiados de tardes de domingo. Uma destas alternativas era a que previa a motorização da hidrelétrica em duas etapas; o governo Lula deu de ombros.

Sob Dilma Rousseff e seu modelo, o complicado setor elétrico transformou-se numa colcha de retalhos. A transparência é mínima, num ambiente em que ninguém sabe ao certo quanto se paga pela energia que se consome – isso inclui você, leitor, e a fatura que todo mês a sua concessionária lhe entrega. Neste ambiente algo caótico, cada um dos agentes puxa a sardinha para sua lata, buscando assegurar vantagens. O governo aceita, porque só quer fazer negócio.

Belo Monte, da forma como foi licitada, põe mais um retalho nesta colcha. Alguém sabe quanto ela vai custar? Provavelmente não. Fala-se em R$ 19 bilhões e em até R$ 30 bilhões, sem contar os custos dos linhões de transmissão. Esta é uma questão fundamental para a definição de uma tarifa adequada e justa para o consumidor, mas o governo Lula se importa com isso?

O governo federal estabeleceu um teto para a tarifa que pareceu irrealista aos interessados mais acostumados às lides de geração de energia, mas não assustou ao frigorífico que aceitou correr o risco da empreitada e entrou o negócio. Generosos financiamentos do BNDES e outros bilhões em incentivos fiscais sustentaram a empreitada. A hiperhidrelétrica brasileira está agora nas mãos de um matadouro.

Aos poucos vai se sabendo de outras tantas “ajudinhas”, como a que revela O Globo em sua edição de hoje: na semana passada, o frigorífico vencedor acabara de abocanhar uns milhõezinhos do FGTS. Coincidência? Não custa lembrar: o dinheiro do FGTS é de todos os trabalhadores do país, seu fundo de garantia para o futuro; por que empregá-lo em empresas cuja gestão mostra-se temerária, como mostra o jornal?

Não será surpresa se, quando o calo apertar, a Aneel ou o governo de plantão espetarem alguma conta na fatura dos consumidores, mais uma sopa de letrinhas que ninguém sabe ao certo o que é, mas que servirá para lembrarmos ainda por um longo tempo da viagem na maionese que o governo Lula protagonizou e os custos que isso nos legará. Parece incrível, mas Belo Monte ainda pode nos sair muito mais caro do que podemos imaginar.

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LULA FEZ O QUE PODIA FAZER. AGORA É COM DILMA!

Postado por lpvellozolucas em April 19, 2010
eleições / Nenhum Comentário

EXTRAÍDO DO EX-BLOG DO CESAR  MAIA

                   
1. Este Ex-Blog, em fevereiro de 2009, fez uma análise do personagem Dilma Rousseff, lembrando que a transferência de votos entre políticos, de personagens muito diferentes, é muito difícil. Deu exemplos de candidatos do próprio PT em nível regional, que encarnando personagens distintos, terminaram por ter sua votação em locais muito diferentes. Não foi difícil a Brizola, em 1989, transferir todos os seus votos no RJ e RS a Lula: encarnavam personagens semelhantes, pelo estilo e base social de votos e dicotômicos a Collor.
                  
2. No caso de Lula e Dilma, trata-se de personagens antípodas. Aliás, o personagem Dilma -séria, tecnocrática, vertical, inflexível- foi criado pelo próprio Lula pós-mensalão. Jacques Séguelá, assessor de imagem de Mitterrand, dizia: “Política e Teatro são semelhantes. Mas há uma grande diferença. No Teatro o ator muda de personagem e continua a provocar emoções. Na Política… não!”
                  
3. Elas por elas, as pesquisas mostram que 20% dos eleitores votam em qualquer candidato de Lula, que 20% dos eleitores não votam em nenhum, 20% não estão nem aí e serão a abstenção/brancos/nulos na eleição e 60% dizem que podem ou não votar, dependendo do candidato. É nesse espaço que entra a dúvida sobre a capacidade de transferência de Lula. Mas nesse espaço, 2/3 já se definiram por Serra e Marina. Sobram outros 20%.
                  
4. Lula, do ponto de vista da psicologia social, é um personagem feminino, próximo, amigo, “acarinhável”, “vitimizável”. Dilma é um personagem, do ponto de vista da psicologia social, masculino, distante, vertical. Desta forma, a partir dos eleitores que votam em qualquer um que Lula indique, ou 20%, o processo de transferência de votos começa a ser complexo. Aqueles, que por alguma razão rejeitam Serra, são objeto de atração mais fácil. E assim por diante se vai deslocando o eleitor para Dilma, até atingir seu teto de recepção dos votos de Lula. E aí…, é com ela.
                   
5. As pesquisas em 2010 mostram Dilma patinando nesses 30%, um pouquinho mais, ou menos. Mas mostram também que ela está sempre mais abaixo entre as mulheres. No último DataFolha ela cai da média de 28% (todos) para 22% entre as mulheres. De nada adianta que um publicitário queira corrigir isso. Por um lado, não dá mais tempo. Por outro, cai na máxima de Séguelá: se descaracterizaria. Talvez Patrus fosse um personagem com perfil mais próximo a Lula. Agora é tarde… Inês é morta!

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O PSDB não será isolado!

Postado por lpvellozolucas em March 31, 2010
eleições / 1 Comentario

Afirmei na entrevista concedida ao jornal A Gazeta, do último sábado (27), que o “projeto de unanimidade foi derrotado”. As candidaturas do PSDB e PSB resistiram às ameaças e pressões e mostraram que o potencial eleitoral nas pesquisas indicam que a eleição no Espírito Santo não será decidida por antecipação. Teremos disputa. O PSDB conseguiu resistir ao isolamento, mesmo tendo perdido quadros importantes, e consolidou seu projeto para nosso Estado, com a filiação dos Max Mauro – pai e filho – ao PTB, com o total respaldo do presidente nacional deste partido, o ex-deputado Roberto Jefferson. Homem de palavra e corajoso, ele foi claro e direto ao repudiar publicamente o “projeto de unanimidade” e apoiar nosso movimento. Tenho, repetidamente, afirmado minha confiança no PPS e DEM capixabas, e na nossa capacidade de estarmos unidos no palanque oposicionista no Espírito Santo. Nos últimos dias, a imprensa capixaba noticiou declarações e informações, em off, visando desacreditar nossa capacidade de manter essas alianças nas eleições deste ano. Isso mostra que o “projeto de unanimidade” foi derrotado, mas não está morto. Pelo menos não querem admitir que fracassou. Agora, com nosso candidato a presidente, José Serra, fora das responsabilidades com o governo de São Paulo e subindo nas pesquisas, temos a mais absoluta convicção da força do nosso projeto, mesmo com o recrudescimento das pressões e assédio a que estão submetidos nossos aliados. Penso que tudo isso é uma demonstração mais de fraqueza do que propriamente de força… Estou também muito feliz com a disposição da deputada Rita Camata, e estamos andando por todo o Estado, reafirmando a confiança na chapa do PSDB, a única, até agora, no cenário eleitoral capixaba definida com candidatura a presidente, governador e senador.

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PAC 2: a volta dos que não foram

Postado por lpvellozolucas em March 30, 2010
Política / Nenhum Comentário

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal não anda, não como pretende o governo. Existe aí uma distância entre o prometido e o efetivamente realizado. As informações sobre a execução do  PAC 1 (existem muitas e sérias controvérsias técnicas nisso), dão conta de que apenas 40,3% das obras foram concluídas.

Apesar disso o governo lança com pompa e circunstância o PAC 2, para isso gastando 170 mil reais. Fica um cheiro de campanha eleitoral antecipada no ar.

O governo poderia ao menos ter a sensatez de anunciar que as obras não concluídas do PAC seriam transferidas para o PAC 2. Nem pensar. Quer dar a impressão de estar trabalhando. Para isso inaugura as mesmas obras, muitas nem concluídas, várias vezes. Um triste espetáculo.

Evidente que ninguém com um mínimo de experiência na gestão pública, e com responsabilidade, é contra a ideia de planejarmos a ação governamental. Isso melhora, ou deveria, a qualidade do gasto público.

O bom de ter a experiência de gestão e estudar o tema, conhecendo por isso um pouco da história, é poder lembrar ou conhecer coisas que muitos já esqueceram ou nem sequer chegaram a conhecer e a partir disso traçar algumas ideias básicas sobre.

Essa idéia de planejar a ação governamental é antiga no mundo e, até mesmo, no Brasil e no Espírito Santo.

No Brasil as coisas começaram no governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) com o Plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia). Não teve grande sucesso. Suas maiores realizações foram a Via Dutra, ligando Rio de Janeiro à São Paulo e a criação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).

Depois vieram o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956 – 1961), que com suas 31 metas teve um grau de realização bastante mais razoável. O país cresceu bastante, modernizou-se. A experiência já então acumulada com sucessos e fracassos deve ter servido para algo. JK era um político sensível para as possibilidades de se aprender e não ficar “batendo cabeça”.

O Plano Trienal de João Goulart (1961 – 1964) fracassou por falta de condições políticas, internas e externas, e por conta de uma situação econômico-financeira bastante complicada no período.

Os militares tiveram seus Planos Nacionais de Desenvolvimento, o primeiro e o segundo, que serviram para mostrar que elaborar um belo plano, como eram os dois, poderia ser relativamente fácil. Criar as condições para a implementação já é outra história, coisa que os gestores públicos, na época, pouco conheciam e demoraram a perceber.

O governo de Fernando Henrique Cardoso teve o Avança Brasil que, com razoável sucesso e uma dose de inovação em sua gestão, começava a incorporar os elementos inovadores, já usados na gestão privada como, por exemplo, planejamento estratégico e servidores claramente identificados e responsabilizados pela coordenação de cada projeto.

No Espírito Santo o primeiro a planejar a ação governamental foi o saudoso Jones dos Santos Neves, com o Plano de Valorização Econômica do Espírito Santo, que focava a ação na área de energia, não por acaso a instituição pública responsável pelo planejamento da ação governamental em nosso estado se chama Instituto Jones dos Santos Neves.

Na minha gestão como Prefeito de Vitória (1997 – 2004) realizamos, com grande afinco e por que não dizer com bastante sucesso, o Plano Vitória do Futuro, que herdamos e aperfeiçoamos do governo Paulo Hartung na cidade (1993 – 1996). Como secretário de Paulo Hartung fui o responsável pela coordenação do Plano.

O Vitória do Futuro incorporava as melhores técnicas de formulação e administração de planejamento estratégico e com a efetiva participação da sociedade civil.

No Espírito Santo temos desde fins da primeira gestão de Paulo Hartung o ES 2025 que, coordenado por Guilherme Dias, que não por acaso foi Ministro do Governo FHC, e Dayse Oslegher Lemos, que trabalhou com Paulo Hartung e comigo na prefeitura de Vitória.

O ES 2025 fez um amplo estudo situacional do estado, em todos os campos de desenvolvimento, com estudos prospectivos da situação nacional e internacional que impactam possíveis consequências, positivas ou negativas, para o nosso futuro. Tudo isso permitindo um gerenciamento mais efetivo e com grande capacidade de adaptação.

Aprender com a experiência, estudar as metodologias disponíveis, dedicar-se a formular, com ampla participação, um plano que mobilize as energias da sociedade, que se compromete com um planejamento, são estratégias que os administradores públicos devem usar se querem sucesso em executar seus planos. Talvez seja isso que faltou ao PAC e permanece faltando no PAC 2.

Governo faz confusão com números do PAC

Postado por lpvellozolucas em March 30, 2010
Política / Nenhum Comentário

Por Míriam Leitão 

Fonte: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/03/30/governo-faz-confusao-com-numeros-do-pac-279321.asp

Na verdade, quando o governo lança os PACs, ele faz uma mistura muito grande com os números. Até quem acompanha tem dificuldades para entender, porque a confusão é proposital. Quando eles falam em R$ 1 trilhão, pegam uma parte do que pode estar no orçamento do próximo governo, nos próximos quatro anos; os investimentos previstos pelas estatais e pelo setor privado.

Melhor do que falar o que o próximo governo vai fazer, seria mostrar um balanço do PAC 1 com transparência, porque está muito difícil de compreender. O candidato é que tem de apresentar a sua idéia, e a ministra tem o direito de fazer isso, mas não a dois dias de sair do governo, não com uma festa que custou R$ 170 mil, paga com recursos públicos.

Ela pode fazer como programa de governo durante a campanha, porque aí sim, cada candidato tem de apresentar sua proposta para o eleitorado se informar. Mas dentro do governo, programar o próximo e mais o segundo mandato é uma forma de fazer propagada, não disfarçada, já que é descarada.

Eu tenho que falar com especialistas de várias áreas para entender os números da primeira fase do PAC. O que a gente sabe até agora é isso que está nos jornais: o governo diz que completou 40% das ações e que o setor privado investiu R$ 88 bi nas obras do PAC 1, enquanto o Contas Abertas fala em 11% e que procura saber que empresas são essas, mas o governo não diz.

Está tudo muito confuso. Não sei de onde sairá R$ 1 trilhão, até porque a própria Miriam Belchior, da Casa Civil, ao explicar isso, disse que parte do dinheiro é recurso a definir. A última vez que eu ouvi essa expressão foi no governo militar. O Brasil era uma bagunça fiscal de grandes proporções e eles, primeiro, faziam o projeto para depois dizer de onde sairia o dinheiro. Não é assim que se faz, porque agora há regras, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a de Responsabilidade Fiscal. Agora, é diferente.

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De Volta ao Futuro

Postado por lpvellozolucas em March 25, 2010
Cidades, Desafios ao crescimento, Sem Categoria, desenvolvimento / Nenhum Comentário

Quando li a entrevista da Anna Tibaijuka ao Jornal O Globo (22/03) por ocasião do lançamento do livro “Construindo Prosperidade” de sua autoria, senti uma imensa familiaridade com as ideias da diretora-executiva do ONU-Habitat, Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos.

Quem se lembra do Projeto Terra que desenvolvi quando prefeito de Vitória, já tem uma prévia, na prática, das políticas sugeridas nesse livro recém-lançado.  Segundo Anna Tibaijuka, “estima-se que em duas décadas a população das cidades chegue a 85%” e que “esse fluxo só pode levar à proliferação de favelas”. O Brasil está inserido nessa realidade.  Com base em estudos do ONU-Habitat, a autora revela que “no Egito, no México e no Brasil o problema maior é a falta de saneamento”.

Conheci de perto essa realidade e  implantamos o Projeto Terra, que teve o reconhecimento do próprio ONU-Habitat, para combatê-la. Ao todo, recebemos dois prêmios – um da Caixa Econômica Federal e outro do ONU-Habitat. Em 2002, o Projeto Terra ficou entre os dez melhores projetos sociais do Brasil e os cem melhores do mundo.

Nesses oito anos, continuo acreditando que é a dignificação das moradias, principalmente por meio do saneamento básico, que vai agir diretamente na melhoria da auto-estima dos moradores. Essa melhoria reflete no comportamento geral da sociedade. Pudemos comprovar que o reflexo vem de dentro para fora. Melhorando as casas, melhoramos as relações dentro das famílias e, por consequência, dentro dos bairros e da cidade. É uma fórmula certeira para resolver questões como a evasão escolar, a violência nas cidades e a proliferação de doenças epidêmicas.

É disso que eu gosto e quero voltar a botar em prática!

 

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Homenagem a Ricardo de Oliveira

Postado por lpvellozolucas em March 24, 2010
Homenagem / 1 Comentario

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Quinta-feira passada (18/03), Ricardo de Oliveira deixou a Secretaria de Gestão e Recursos Humanos do Estado do Espírito Santo. Foram cinco anos de excelente trabalho à frente da Secretaria. Por isso, dedico a ele esse post.
Modernização, profissionalização, valorização do servidor público, transparência são apenas alguns dos fundamentos do trabalho desenvolvido por Ricardo de Oliveira, um verdadeiro legado para o Espírito Santo. Concordo com o governador Paulo Hartung: Ricardo de Oliveira foi durante esses cinco anos o melhor secretário de gestão do Brasil. Fico feliz e orgulhoso pelo trabalho do Ricardo de Oliveira, também chamado de “Cadinho” ou “Macete” pelos colegas da Faculdade de Engenharia da UFRJ onde estudamos nos anos setenta. Além de todas as qualidades profissionais e afinidade política é antes de tudo um ser humano extraordinário e um amigo de verdade há 40 anos.
Em sua carta de agradecimento e despedida, podemos ler o que Ricardo de Oliveira  quer para o Espírito Santo no futuro: Gestão pública baseada em profissionalismo e com continuidade dos programas, políticas e procedimentos . Não seria preciso repetir que compartilho esse ideário completamente. Se o PSDB chegar ao poder no Espírito Santo os princípios defendidos por Ricardo de Oliveira serão valores de referência e destaque na futura gestão. E aí, quem sabe, ele aceite voltar pra nos ajudar.

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