Arquivo de February, 2010

Muitos pesos, muitas medidas

Postado por lpvellozolucas em February 25, 2010
Política / 1 Comment

Morreu no dia 23 de fevereiro de 2010 o cidadão cubano Orlando Zapata Tamayo.

Essa, no entanto, não foi apenas a morte de um prisioneiro. Foi a morte de um prisioneiro político, pessoa que há muito se dedicava pela liberdade na ilha de Cuba.

Orlando Zapata tinha sido condenado a três anos de prisão e após 85 dias de greve de fome contra os maus tratos e a tortura que recebia na prisão morreu. Morreu não, foi assassinado.

O regime ditatorial castrista – encimado por Fidel e liderado por Raul – é o responsável pela morte. Apesar da justificativa do governo cubano e seus defensores no Brasil e mundo afora – de que levaram Orlando Zapata ao hospital, a responsabilidade é deles. A questão é que esperaram, apenas, que não tivesse mais condições de sobreviver. Quando o levaram já não havia mais salvação para sua vida.

Foi assim, por exemplo, que outro ditador, Benito Mussolini, fez com o grande político e pensador italiano Antonio Gramsci, o liberou da prisão quando não mais havia condições para sobreviver.

Ditadores, além de tudo, são previsíveis e repetitivos.

O problema não pára aqui.

Para o Presidente cubano, que como seu irmão Fidel vive de justificar a incompetência do regime com o “fantasma” dos EUA, a culpa da morte do defensor das liberdades é do governo americano. Como explicar isso Senhor Raul?

O Brasil que se pretende uma liderança regional e aspira lugares mais altos no pódio da Comunidade Internacional lança uma declaração por meio de nosso presidente que culpa o prisioneiro. O regime, para Lula, é perfeito e não merece reparos. O culpado da morte é o próprio Zapata. Será que foi suicídio presidente? Será que pela sua declaração, presidente, podemos entender que a liberdade não é um valor pelo qual devemos lutar? Será, senhor presidente, que devemos apenas temer os ditadores e esperar que seus regimes caiam de podres?

Ditadores para Lula são apenas aqueles que derrubaram Zelaya. Chávez e, principalmente, por enquanto ao menos, Fidel e Raul não. Esses o nosso presidente acha que são legítimos governantes.

Aqui no Brasil quer criar Comissões da Verdade e transformou as indenizações dos perseguidos da Ditadura em verdadeiras “Bolsas Guerrilha”. O que era ideologia, virou investimento pra companheirada.

O equívoco político que cometeram em optar pela luta armada, que, óbvio, não justifica a perseguição e a tortura sofrida por muitos, acaba sendo premiado com vultosas quantias.

Os nosso são ditadores e devem pagar mesmo com um pacto político negociado há mais de 30 anos por meio da Lei de Anistia.

Os de Cuba não. Esses, para Lula, podem matar, perseguir, calar e torturar que são bons. Lula deve quer apenas fumar uns charutos cubanos e aproveitar as mordomias que aquele regime oferece aos apaniguados e em tudo nega aos seus cidadãos.

O que lhe interessa agora no cenário internacional é falar do Haiti e reclamar da “invasão” inglesa nas Malvinas para, com a primeira, justificar a sua fama de ser “o cara”, e, com a segunda, agradar seus “aliados antiimperialistas” preferenciais como Fidel, Raul, Chávez, Corrêa, Morales e Ortega, além, claro, dos Kirchners.

Muitos pesos, muitas medidas.

 

Cartão amarelo

Postado por lpvellozolucas em February 25, 2010
Política / No Comments

O jornal “O Correio Brasiliense” de hoje noticia um fato importantíssimo para a lisura do processo eleitoral deste ano (Clique e leia a matéria). A Procuradoria Geral da República acolhendo a representação feita pelo PSDB, instaurou inquérito civil contra o Presidente Lula e a Ministra Dilma pelo fato de terem afrontado o princípio da impessoalidade que proíbe terminantemente a vinculação de nomes de autoridades a obras e programas de governo.

Em comícios travestidos de solenidades oficiais em todo o país a ministra Dilma, agora já oficializada como candidata do PT, é sempre chamada, e reverenciada, como a “mãe do PAC”. Isso não pode! A lei veda !

Os investimentos, obras e serviços prestados aos cidadãos com dinheiro público, não são favor de ninguém e não podem beneficiar candidaturas.

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Explicando vários pontos

Postado por lpvellozolucas em February 24, 2010
Política / No Comments

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Excelente as colocações da Miriam Leitão na sua coluna de ontem, na tentativa de desvendar alguns pontos da entrevista da ministra Dilma à revista Época.  Essa leitura me fez recordar uma conversa que tive recentemente com Ian Bremmer, cientista político e atual presidente do grupo Eurasia de consultoria e análise política.

Foram uns 15 minutos de conversa em que pude sentir o profundo conhecimento e o grande preparo desse jovem empresário de 40 anos, com PHD em Harvard aos 27 anos e três livros publicados. No final dessa conversa, ele me perguntou o que eu achava que eles, os analistas norte-americanos não sabiam sobre o Brasil, não tinham alcance e deveriam saber.

Não precisei pensar muito para responder que eles, os analistas internacionais, subestimavam o risco do PT fazer a Dilma presidente.  Refiro-me a um risco real de eleger uma candidata de laboratório, baseada na máquina pública e não em torno de um projeto para o Brasil.

É fato que o brasileiro tem uma avaliação positiva para o Brasil, assim como é fato que o Plano Real alavancou as mudanças que hoje refletem numa melhora da auto-estima dos brasileiros, numa melhor distribuição de renda e melhores índices econômicos e sociais. No entanto, isso não oculta o desejo do brasileiro de ver as coisas que não funcionam no país funcionando.

A discussão mais lúcida em torno das próximas eleições no Brasil deve ser em torno de quem tem mais competência para lidar com os problemas que ainda existem de infra-estrutura, violência, saúde e saneamento

O governo do PT é errático e contraditório e prega um discurso incoerente e inadaptável à realidade, ao se dar ao luxo de comprar R$2,2 bilhões de debêntures do frigorífico JBS Friboi, enquanto 48% das moradias no país continuam à espera de rede de esgoto e dignidade.

Segue o link para acessar a coluna da Miriam Leitão e ler o texto na íntegra: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/02/23/estado-da-dilma-268745.asp

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Brasília usurpada

Postado por lpvellozolucas em February 24, 2010
Política, Sem Categoria / No Comments

  

Arte urbana e protesto numa parada de ônibus

Arte urbana e protesto numa parada de ônibus

                       

A crise que tomou conta da política de Brasília é pra lá de lamentável.  É tão melhor quando vemos a capital de nosso país nas manchetes dos jornais dando exemplo para o resto do país. A cidade é referência no trânsito. É raro ouvirmos uma buzina e os pedestres têm sempre a preferência, basta um aceno de mão que nas faixas de pedestre da cidade traduz-se como uma poética instrução: “Dê sinal de vida”!”

Apesar da grande expansão imobiliária e do trânsito cada vez mais parecido com o das grandes metrópoles, o verde é símbolo maior em Brasília e o parque lugar garantido de lazer do brasiliense.  É impressionante que, mesmo durante os meses de seca, as paisagens resistam bravamente. Mais um grande sinal de vida!

É um capítulo amargo da história da capital federal. É preciso limpar a sujeira a fundo e só com uma grande faxina pode-se honrar a população do Distrito Federal, que não anda achando graça nenhuma, pelo contrário, sente-se usurpada e mal representada.

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Sobre fatos e discursos

Postado por lpvellozolucas em February 23, 2010
Política / No Comments

Presidente Lula e os seus ministros e outros seguidores gostam de apregoar a defesa do “Estado máximo” em oposição a uma suposta defesa do “Estado mínimo” defendido pela oposição.

Abusam da retórica e aos quatro ventos proclamam a suposta ação em defesa da sociedade com a sua exagerada ampliação do número de servidores.

O que buscam, na prática, é o “Estado paquidérmico”, enquanto, a oposição busca o “Estado eficiente”.

Sem retórica recorro aos números do próprio governo federal que, por meio do seu Ministério do Planejamento, divulga o Boletim Estatístico de Pessoal (que podem, todos, desde maio de 1996, ser encontrados no endereço:

http://www.servidor.gov.br/publicacao/boletim_estatistico/bol_estatistico.htm

Sem querer ser cansativo destaco apenas alguns elementos do Boletim para que as pessoas entendam o argumento.

O número de servidores civis da União cresceu cerca de treze por cento entre dezembro de 2002 e outubro de 2009. O das empresas estatais cresceu trinta e um por cento.

Bons números dirão alguns. Vejamos um pouco mais de perto.

Na Presidência da República o número de servidores cresceu em cento e cinquenta por cento, isso mesmo. Na Advocacia Geral da União o crescimento é de 431%.

Na área de ciência e tecnologia o número de servidores diminuiu em 1,5%, na saúde são apenas mais 0,5% e na educação são mais 19,2%.

Cresceram também os cargos comissionados. Quanto maior o salário, maior o número deles agora. Deve ser para ajeitar a companheirada em apoio à Ministra candidata ou o velho espírito bolchevique do aparelhamento. Ou os dois, mais provável. Os cargos DAS-5 e DAS-6, os mais bem remunerados, cresceram, respectivamente, 49,7% e 37,6%.

Penso ser suficiente esses poucos números para mostrar alguns fatos da política para o funcionalismo público desse governo.

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Esterco político

Postado por lpvellozolucas em February 11, 2010
cultura / 2 Comments

Extraído da Folha de SP – 11.02.10
Por:FERNANDO RODRIGUES

BRASÍLIA – A TV Cultura, de São Paulo, quis transmitir alguns noticiários em inglês nos anos 80. Não deu certo. Uma lei obrigava as emissoras a veicular programas apenas em português. Era também a época do governo Sarney, quando um filme de Jean-Luc Godard (“Je vous Salue, Marie”) foi proibido nos cinemas brasileiros.

Agora, mais de 20 anos depois, sobrevivem dentro do Estado brasileiro os mesmo bolsões de intolerância e incompreensão sobre o que é exatamente liberdade de expressão. No sábado, relatou ontem “O Globo”, o assessor especial do Planalto Marco Aurélio Garcia vocalizou suas ideias sobre a programação de TV a cabo no Brasil.

Num debate na sede nacional do PT, Marco Aurélio falou sobre a “hegemonia cultural dos Estados Unidos”, classificando a programação de TVs norte-americanas como “tão importante” quanto a 4ª Frota, a divisão da Marinha dos EUA que atua no Atlântico Sul.

Eis o pensamento do assessor de Lula: “Eles [canais de TV dos EUA] realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente. Despejam toda essa quantidade de esterco cultural”.

Mais um pouco: “Estamos vivendo um momento grave do ponto de vista de uma cultura de esquerda. A crise dos valores do chamado socialismo real e a emergência desse lixo cultural nos últimos anos nos deixaram numa situação grave”.

Qual seria a preferência do doutor? Talvez o “Big Brother”, produção brasileiríssima da maior rede de TV do país. Marco Aurélio, é bom lembrar, coordenará o programa de governo de Dilma Rousseff. No sábado, ele também comentou o avanço de políticos conservadores na Europa. Talvez vivenciando uma epifania, fez uma recomendação: “Nunca subestimem a estupidez humana. Quem subestimou a estupidez humana se deu mal na história”. É verdade.

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SERRA E DILMA: DIFERENÇAS ENTRE PRIMEIRO E SEGUNDO TURNOS!

Postado por lpvellozolucas em February 03, 2010
Política / No Comments

EXTRAÍDO: EX-BLOG DO CESAR MAIA
03/02/2010 

                     
1. As eleições pelo mundo afora, nestes últimos anos, têm mostrado que se não ocorrer uma conjuntura de máxima ou de mínima (economia crescendo 8% a 10%, ou em recessão afirmada), o fator decisivo é a performance dos candidatos em campanha. No Brasil, com eleições coincidentes para governadores e acesso proporcional à TV, a performance dos candidatos se somam à capilaridade (candidatos a governador)  e o tempo de TV. No caso específico de 2010, Serra e Dilma se equilibram nestes dois quesitos. Portanto, a performance em campanha tende a ser decisiva.
                     
2. Os programas de governo e promessas eleitorais são cada vez mais (vide nota deste Ex-Blog sobre eleições de setembro na Alemanha) argumentos após se ter transposto a barreira da confiança. E esse é função da performance dos candidatos em campanha.
                     
3. Importante lembrar para 2010 que se a cobertura na pré-campanha pela mídia coloca Lula como comissão de frente do desfile de Dilma, durante a campanha as lentes e microfones a focalizarão sem Lula. Assim serão aqueles 30 segundos diários no Jornal Nacional. Assim serão os debates. Assim serão as pegadinhas nas ruas e o acesso do eleitor.
                     
4. E aí, inevitavelmente, entra a experiência adquirida em campanhas eleitorais. E não se trata aqui de experiência política, mas eleitoral, propriamente. Para lembrar Glorinha Beuttenmüller: o abraço redondo, o olhar envolvente, falar a partir do umbigo, o passeio do olhar na frente das câmeras, o A e o I, o exercício de relaxamento, a voz escandida na TV e agitada no Rádio, etc. A aula ajuda, mas só a prática incorpora na massa do sangue e torna espontânea a performance.
                     
5. Dilma nunca foi candidata a nada, talvez nem à síndica. Vai começar a aprender -para valer- depois da convenção de junho e a partir de 5 de julho. E vai tropeçar, inevitavelmente. A TV editada só entra uns 50 dias depois da convenção. Vai levar um susto no final de julho quando as pesquisas anotarem a percepção do eleitor sobre ela. E a imprensa que apenas cobre estratégia de campanha vai querer saber das mudanças. A candidata se deprime um pouco. Mas logo vem a TV editada e a situação melhora.
                     
6. Cada quinzena de campanha para presidente vale um ano de experiência eleitoral. Mas não dará tempo para Dilma ganhar. Serra vence o primeiro turno. E aí vem a questão. Vence no primeiro turno? Ou haverá segundo? O mais provável é que numa eleição plebiscitária ele vença no primeiro turno. Lembre-se que a TV é alternada dia sim, dia não. E que o primeiro turno é cheio de ruídos.
                     
7. Mas se houver segundo turno o quadro já será diferente. Dilma terá adquirido experiência de performance em campanha. O segundo turno entra com TV contínua. Saem os deputados federais, estaduais e senadores. Desaparecem as suas placas nas ruas e seus cabos eleitorais com panfletos. A TV e a campanha ficam “limpas”. Será mais fácil perceber a presença de Lula. O segundo turno tende a ser uma eleição indefinida. Mas o primeiro será muito favorável a Serra, pelas razões, e se for plebiscitária, a probabilidade de Serra vencer no primeiro turno é tão alta que -de hoje- parece inevitável.

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Predica mas não pratica (again)

Postado por lpvellozolucas em February 02, 2010
Política / No Comments

por Angela Pimenta

http://portalexame.abril.com.br/blogs/esquerda-direita-e-centro/2010/02/01/predica-mas-nao-pratica-again/

O economista José Roberto Afonso colabora com a série “O que esperar de 2010″ do blog:

O discurso é um mas a prática é outra. Algumas autoridades brasileiras continuam fiéis ao princípio “predica mas não pratica.”

O noticiário econômico online destacou o duro recado, do Brasil para o planeta, no Fórum Econômico Mundial de Davos: “não há sinais de que a crise tenha servido para repensarmos a ordem econômica mundial… (ela), com seus métodos, sua nobre ética, seus processos anacrônicos, continua a mesma.” Palmas, o discurso é perfeito. Ainda mais que o mesmo Fórum já tinha adotado como mote: “Repensar, Redesenhar, Recriar.” A esperança seria aprender a emergir da crise sabendo como evitar erros que provocaram as bolhas financeiras.

Terra chamando. De volta aos trópicos, o mesmo noticiário estampava notícias: dólar dispara, bolsa cai, estrangeiros sacam. Rápido como vêm, as vezes se vão. Ex post, se arruma uma explicação, um culpado – economistas deviam repetir médicos e alegar uma virose (financeira). Como tal, que seja passageira. Mas, já passa a hora de perguntar ao espelho: Espelho meu, nós aproveitamos a crise para mudar o quê? Repensamos algo que pensamos antes? Formulamos algum projeto?

Nada mudamos apesar de termos farto know-how em enfrentar crises econômicas e aproveitar esses momentos para promover mudanças estruturais. Os próprios pilares da política econômica até hoje seguem ao que foi desenhado para o enfrentamento, aos poucos, no enfrentamento da crise do final dos anos 80, implantados em passos e atos diferentes: primeiro, adotamos o câmbio flutuante (contrariando o que nos pediam do exterior); depois as metas de inflação (ainda que inicialmente dificilmente eram cumpridas); e finalmente a responsabilidade fiscal (o único dos três regimes regrado por lei complementar e que coroava um longo e intenso processo de mudanças nas finanças públicas). Esse tripé ficou até hoje.

Mesmo gozando de impressionante apoio parlamentar e popular em meio a uma crise econômica tão grave, não foi realizada uma só alteração constitucional ou legal de porte, algo que pudesse ser chamada de estruturante. Nem mesmo a medida inicial, de linha especial de redesconto bancário, foi muito usada. Nada se reformou simplesmente porque nada chegou a ser desenhado, sequer proposto.

Infelizmente, o Brasil enfrentou a pior recessão de sua história. Felizmente, também foi a mais curta. Comemoramos que saímos rápido de uma retração que, antes, ninguém esperaria que fôssemos entrar, afinal não tínhamos derivativos, nem tanta dependência externa, e a demanda interna estava superaquecida. O crédito foi tão decisivo, seja para travar a economia repentinamente, seja para a retomar via consumo, que o elevaria para a categoria de um novo e quarto pilar da política econômica. Prefiro chamar de “quatrilho”, como no filme. Porque tudo isso se passou à custa de tornar ainda mais complexa, confusa e perigosamente cara a teia de interconexões entre os vários instrumentos da política econômica.

Vejamos o que nos contam os dados oficiais (todos divulgados pelo Banco Central). O estoque de crédito cresceu muito (7,7 de setembro de 2008 a dezembro de 2009), puxado pela maior oferta por instituições financeiras públicas (responderam por 5,9 daqueles pontos).  Para tanto, elas precisaram tomar crédito extraordinário (mais 4,1 pontos do PIB durante o mesmo período) junto ao Tesouro Nacional – na prática, ele virou o maior “banco” do País, fechou o ano com créditos que montam a 25,1% do PIB (ou 12,8% se eliminadas as dívidas entre os governos fruto das renegociações).  Como o superávit primário era decrescente (em grande parte por contas de gastos que foram aumentados antes mesmo da crise estourar; de fato, esta só serviu de pretexto para se chamar de anticíclica uma política que, em condições normais de temperatura, seria chamada de irresponsável ou explosiva), restou o endividamento público. No mesmo período, o total de papéis públicos em mercado cresceu 9,6 pontos do PIB (muito próximo do aumento dos meios de pagamento, no conceito M3, que cresceu 11,6 pontos). Metade desse incremento fluiu via operações compromissadas do Banco Central, que rolam em média a cada 40 dias (ante 40 meses do Tesouro) – aliás, se inexistiam em janeiro de 2002 (quando a mobiliária era de apenas 35% do PIB), já respondem por um quarto do estoque de títulos, que encostou em 60% do PIB, como nunca antes na história.

Nesse contexto macroeconômico, se é que algo mudou, foi a montagem de um arranjo que combinou a  elevação do crédito (liderado por bancos estatais e beneficiando mais o consumo pessoal do que o investimento produtivo) com simultânea e ainda mais acelerada disparada da dívida bruta, intermediado pela exacerbada preferência pela liquidez dos grandes bancos e empresas privados. Acho que nem dá para chamar esse processo de estatização porque isso suporia existir um projeto de Estado que se confundisse com o de Nação. Para ter projeto, é preciso ter um diagnóstico.

Bem, pensando e repensando, é melhor parar por aqui.  Mais fácil é acusar os outros de não repensarem a economia.

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Ninguém é de ferro!

Postado por lpvellozolucas em February 01, 2010
Futebol, cultura / No Comments

FLA X FLU antológico

“O FLA x FLU surgiu quarenta minutos antes do nada.”(Nelson Rodrigues)

O bar e restaurante “Delira” na Hugo Musso, em Vila Velha, é excelente para assistir aos jogos de futebol no  domingo. É amplo, tem telão, monitores de TV em vários espaços e  ótimo serviço.  Flamenguistas e tricolores lotaram e compartilharam pacificamente o “Delira” na noite deste domingo para assistir ao histórico clássico. Fui com alguns amigos vilavelhenses:  três flamenguistas e mais um tricolor pra me fazer companhia. 
Ninguém  respirava na correria dos primeiros 15 minutos. O Fluminense marcou primeiro e, jogando muito melhor, terminou o primeiro tempo vencendo por 3X1, depois de desperdiçar pelo menos outras três oportunidades. O segundo tempo foi outro jogo. O Flamengo,  alterado com inteligência por Andrade, partiu pra cima de um Fluminense medroso que parecia orientado só para se defender.  O Flamengo faz dois gols antes dos dez minutos e mais dois  no final, em jogadas da entrosadíssima  dupla de ataque rubro negra, Adriano e Vagner Love, vencendo de 4X0 o segundo tempo, fazendo-nos recordar o terror do jogo contra a LDU em Quito. Foi uma vitória merecida. Parabéns à torcida flamenguista.

Na MUG com Robertinho
Depois do FlaXFlu fui ao ensaio da MUG. Ainda não conhecia a nova quadra e fiquei muito impressionado com a quantidade de gente e a empolgação. Robertinho, o presidente da escola, me recebeu muito carinhosamente e registrou minha participação na volta do carnaval capixaba, além de me apresentar como amigo de infância e antigo morador da comunidade. Depois de 50 anos, meus pais se mudaram há menos de um mês da chácara na Glória onde passei toda minha infância e parte da juventude. Robertinho me levou pra ver os trabalhos de construção dos carros alegóricos e me permitiu fazer uma brevíssima saudação. A bateria está muito entrosada e o enredo sobre Brasília está muito bem desenvolvido. Ricardinho da MUG é um dos melhores intérpretes de samba enredo que temos, e Fernanda, que já foi Rainha do Carnaval, é uma madrinha da bateria encantadora. A MUG vai fazer bonito na avenida. Tenho certeza.

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