
Estive ontem (22) no seminário “Pré-sal – Riscos e Oportunidades”, promovido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Participei do painel “Modelo Regulatório e Empresa Estatal”, que contou com a presença do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), dos deputados Arlindo Chinaglia (PT/SP) e Brizola Neto (PDT/RJ), do embaixador Sebastião do Rêgo Barros; do ex-presidente da BG Luiz Costamillan e do ex-presidente da norueguesa Statoil José Camargo. O debate foi mediado pelo colunista Merval Pereira, de O Globo.
O governador Paulo Hartung também participou das discussões, no painel “Riscos e Oportunidades”. Durante todo o dia, o que se verificou foi um debate sério e de altíssimo nível sobre o tema. Fiquei feliz ao saber que o governo não mudará o atual modelo de exploração sem enfrentar um amplo debate. O senador Francisco Dornelles, que integra a base do governo, foi um dos maiores críticos da proposta do Planalto.
Com raras exceções, o que se viu é que há um amplo consenso técnico de que a proposta do Executivo em nada melhora o atual marco. Uma crítica recorrente foi o fato de o governo querer estatizar o risco, com exclusividade da Petrobras na operação de todos os campos do pré-sal.
Como todos que acompanham os textos publicados neste blog já conhecem a minha opinião sobre o tema, seguem abaixo algumas declarações dos participantes do seminário:
“O marco regulatório atual (Lei 9.478/97) é um grande exemplo de êxito de política pública. Com a nova legislação, o setor de petróleo e gás no Brasil deu um salto.”
“Não se pode fazer um debate desses com açodamento. Não podemos misturar o calendário do pré-sal com o calendário eleitoral. Isso apenas gera um cabo de guerra artificial. O que está escrito (na proposta do governo) é que teremos mais centralização da renda do petróleo nos cofres da União. Isso é reflexo de uma visão equivocada de que a União faz melhor que estados e municípios. Os dados mostram o contrário.”
Paulo Hartung, governador do Espírito Santo
“O modelo atual também permite o controle estratégico da produção de petróleo. O modelo de partilha é um retrocesso. Não há um único motivo para justificar a partilha que não possa ser feito pelo sistema de concessão.”
“A discussão do pré-sal começou pelo fim: a repartição dos recursos, quando deveria ter começado pela política de investimento.”
“As modificações no marco regulador do petróleo têm sentido contrário à minha visão de organização de Estado. Na realidade, elas se apoiam na concentração de poder nas mãos da União em detrimento de estados e municípios e na ampliação da participação do poder público nas atividades empresariais, com a conseqüente redução da participação do setor privado”.
Franciso Dornelles, senador pelo Rio de Janeiro
“Sem dúvida, essa faculdade irá desestimular o investimento. É um tremendo desequilíbrio entre o poder de decisão desses membros e o das empresas. Afinal, não é razoável esperar que os sócios, que estarão financiando 100% do projeto, inclusive a Petrobras, tenham que resignar-se ao absoluto poder de veto de cada um de seus integrantes e que não assumem risco financeiro.”
João Carlos de Luca, presidente do IBP, sobre o fato de um dos quatro projetos do governo estabelecer que a Petro-sal deve representar pelo menos 50% dos integrantes do comitê operacional do pré-sal
“O modelo proposto pelo governo limita e até corrói o valor que o Brasil pode extrair do pré-sal. O operador único limita a capacidade de inovar e investir da Petrobras, que será sempre menor que do conjunto dos operadores.”
Jorge Camargo, ex-presidente da Statoil no Brasil
“Em todo o mundo, as operadoras atuam em parceria para minorar os riscos. O Brasil está indo na contramão da realidade.”
Eloy Fernandez y Fernandez, diretor da Onip