O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal não anda, não como pretende o governo. Existe aí uma distância entre o prometido e o efetivamente realizado. As informações sobre a execução do PAC 1 (existem muitas e sérias controvérsias técnicas nisso), dão conta de que apenas 40,3% das obras foram concluídas.
Apesar disso o governo lança com pompa e circunstância o PAC 2, para isso gastando 170 mil reais. Fica um cheiro de campanha eleitoral antecipada no ar.
O governo poderia ao menos ter a sensatez de anunciar que as obras não concluídas do PAC seriam transferidas para o PAC 2. Nem pensar. Quer dar a impressão de estar trabalhando. Para isso inaugura as mesmas obras, muitas nem concluídas, várias vezes. Um triste espetáculo.
Evidente que ninguém com um mínimo de experiência na gestão pública, e com responsabilidade, é contra a ideia de planejarmos a ação governamental. Isso melhora, ou deveria, a qualidade do gasto público.
O bom de ter a experiência de gestão e estudar o tema, conhecendo por isso um pouco da história, é poder lembrar ou conhecer coisas que muitos já esqueceram ou nem sequer chegaram a conhecer e a partir disso traçar algumas ideias básicas sobre.
Essa idéia de planejar a ação governamental é antiga no mundo e, até mesmo, no Brasil e no Espírito Santo.
No Brasil as coisas começaram no governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) com o Plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia). Não teve grande sucesso. Suas maiores realizações foram a Via Dutra, ligando Rio de Janeiro à São Paulo e a criação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).
Depois vieram o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956 – 1961), que com suas 31 metas teve um grau de realização bastante mais razoável. O país cresceu bastante, modernizou-se. A experiência já então acumulada com sucessos e fracassos deve ter servido para algo. JK era um político sensível para as possibilidades de se aprender e não ficar “batendo cabeça”.
O Plano Trienal de João Goulart (1961 – 1964) fracassou por falta de condições políticas, internas e externas, e por conta de uma situação econômico-financeira bastante complicada no período.
Os militares tiveram seus Planos Nacionais de Desenvolvimento, o primeiro e o segundo, que serviram para mostrar que elaborar um belo plano, como eram os dois, poderia ser relativamente fácil. Criar as condições para a implementação já é outra história, coisa que os gestores públicos, na época, pouco conheciam e demoraram a perceber.
O governo de Fernando Henrique Cardoso teve o Avança Brasil que, com razoável sucesso e uma dose de inovação em sua gestão, começava a incorporar os elementos inovadores, já usados na gestão privada como, por exemplo, planejamento estratégico e servidores claramente identificados e responsabilizados pela coordenação de cada projeto.
No Espírito Santo o primeiro a planejar a ação governamental foi o saudoso Jones dos Santos Neves, com o Plano de Valorização Econômica do Espírito Santo, que focava a ação na área de energia, não por acaso a instituição pública responsável pelo planejamento da ação governamental em nosso estado se chama Instituto Jones dos Santos Neves.
Na minha gestão como Prefeito de Vitória (1997 – 2004) realizamos, com grande afinco e por que não dizer com bastante sucesso, o Plano Vitória do Futuro, que herdamos e aperfeiçoamos do governo Paulo Hartung na cidade (1993 – 1996). Como secretário de Paulo Hartung fui o responsável pela coordenação do Plano.
O Vitória do Futuro incorporava as melhores técnicas de formulação e administração de planejamento estratégico e com a efetiva participação da sociedade civil.
No Espírito Santo temos desde fins da primeira gestão de Paulo Hartung o ES 2025 que, coordenado por Guilherme Dias, que não por acaso foi Ministro do Governo FHC, e Dayse Oslegher Lemos, que trabalhou com Paulo Hartung e comigo na prefeitura de Vitória.
O ES 2025 fez um amplo estudo situacional do estado, em todos os campos de desenvolvimento, com estudos prospectivos da situação nacional e internacional que impactam possíveis consequências, positivas ou negativas, para o nosso futuro. Tudo isso permitindo um gerenciamento mais efetivo e com grande capacidade de adaptação.
Aprender com a experiência, estudar as metodologias disponíveis, dedicar-se a formular, com ampla participação, um plano que mobilize as energias da sociedade, que se compromete com um planejamento, são estratégias que os administradores públicos devem usar se querem sucesso em executar seus planos. Talvez seja isso que faltou ao PAC e permanece faltando no PAC 2.